Palestra: Lições que a ovinocultura da Nova Zelândia tem para o Brasil (Rio Grande do Sul)

Título da palestra: Ovinocultura moderna, por onde começar a mudança
Palestrante: Dayanne Martins Almeida.
Palestra ministrada no dia 27/08/2016, na 39ª Expointer

Dayanne é zootecnista, mora e trabalha com ovinocultura na Nova Zelândia há 7 anos. A fazenda em que trabalha produz genética e ovinos comerciais.

Até o ano de 1983, a ovinocultura da NZ era baseada na produção de lã (a carne era considerada um subproduto), criando raça merino de maneira extensiva, com baixos índices produtivos e 40% de subsídio governamental. Desta data em diante, o governo cortou de uma vez só o subsídio, fazendo com que o setor mergulhasse em uma profunda crise. As principais atividades agropecuárias realizadas na NZ são pecuária de corte, leite, florestamento, sendo a agricultura representante de apenas 5% da exploração rural (bem diferente do Brasil); As condições de clima, relevo, mão de obra são extremamente adversas, sendo que aproximadamente 60% do território é passível de alguma exploração.

A única alternativa do setor de ovinocultura era investir pesadamente em uma criação eficiente. A maior lição que Dyanna acredita que os brasileiros tem a aprender é a união dos produtores. Ela salienta que a produção foi alavancada por iniciativas conjuntas, na formação de uma cooperativa, que hoje é chamada de “Beef and Lamb”, que integra todos os elos da cadeia produtiva: pesquisa, produtor (comercial e genética), frigorífico e consumidor. Essa cooperativa possibilitou o crescimento conjunto e exponencial da  atividade, transformando profundamente os moldes produtivos.

A cada cabeça abatida hoje, aproximadamente R$ 0,60 são destinados ao fundo de pesquisa, elaborada pelas universidades para atender as necessidades do produtor, diretamente. Há ainda um fundo, de aproximadamente R$ 0,30, para o financiamento de um programa integrado de melhoramento genético, a partir dos dados coletados pelos próprios produtores. A criação eficiente em um ambiente tão hostil é devido ao melhoramento genético e adequada nutrição.

Na descrição do sistema de manejo, a palestrante frisou as condições climáticas e a relação com o sistema de produção adotado e a relação com o calendário produtivo adotado:

calendarioovinonz

A desmama ocorre aos 3 meses, com 29-32 Kg, quando os cordeiros são destinados ao abate. . As fêmeas e machos reprodutores desmamados em dezembro já são utilizadas na monta com 8 meses, em maio. As matrizes são classificadas conforme o ECC no momento do desmame, sendo que as que tiverem ECC menor que 2,5 vão para pasto de melhor qualidade e as que tiverem ECC ≥3 são encaminhadas para pasto de pior qualidade (para aumento de 1 ponto de ECC é necessário o aumento de 7-9 Kg de PV). O argumento é de que as fêmeas precisam se preparar com antecedência para o momento da monta, para que tenham condições de recuperar o estado e ter partos múltiplos (alta relação do % de gordura corporal com prolificidade), que fazem com que a ovelha se pague. Os índices reprodutivos do rebanho ficam ao redor de 95-98% de prenhez.

Na temporada de monta, são utilizados relação de 1 carneiro por cada 100 ovelhas matrizes (1%) e 2 carneiros para cada 100 borregas (2%). Esses animais são divididos em lotes e são utilizados um esquema de cores para identificação de fêmeas montadas. São permitidos até 2 ciclos para as ovelhas e uma monta extra, mas com posterior descarte à desmama da ovelha que emprenhou no 3 ciclo. O peso alvo da monta é de aproximadamente 64 Kg (ECC=3) para ovelhas e de no mínimo 45 Kg para borregas. A manutenção do peso da ovelha é muito importante para que o desenvolvimento do úbere (desde a concepção), placenta e formação (ao redor de 30 dias de gestação) do colosto sejam eficientes e o cordeiro sobreviva tenha um bom peso a desmama. Ovelhas com ECC 3,5 produzem 2 vezes mais colostro que ovelhas com ECC 2,5 A tosquia de inverno é feita para aumentar o ganho de peso da ovelha.

A pressão de seleçã exercida é absolutamente alta, sendo que os animais são descartados conforme seu desempenho nas condições mais hostis possiveis do ambiente neozelandês. Foi ressaltada a importancia do carneiro para a evolução do rebanho, que deve 80% do seu melhoramento genético ao carneiro. Os carneiros são selecionados com base no historico de suas mães e de seu desempenho segundo as seguintes características:

  •  Peso a desmama
  •  Peso vivo da matriz a desmama
  •  Peso da carcaça
  •  Peso vivo da matriz
  •  Número de cordeiros nascidos
  •  Sobrevivencia dos cordeiros
  •  Habilidade materna com enfase na sobrevivencia da cria (medido a campo conforme resposta ao manejo com cordeiro recem nascido)

As características de sanidade tem importante fundo genético, sendo as herdabilidades para as características:

  • Peso ao desmame – 20%
  • Fertilidade – 10%
  • Prolificidade – 6%
  • OPG – 40%
  • Suscetibilidade à bicheira – 40%
  • Problemas de casco – 35%

As pessões de seleção nesses rebanhos possibilitaram um grande avanço na sanidade. Ovinos com diarreia são logo descartados do rebanho, bem como os que apresentam problemas de casco, fêmeas que tiveram distocia são eliminadas ao desmame.

A eficiência das matrizes se dá pela seguinte fórmula:

Kg total de cordeiros desmamado / Kg peso vivo da matriz na monta

Site da empresa:

http://wairererams.co.nz/the-farm/

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