Parasitas

Parasitas mais comuns em ovinos:

Abomaso:

  • Haemonchus spp.
  • Ostertagia spp.
  • Trichostrongylus axei – tricostrongilose abomasal

Intestino Delgado:

  • Trichostrongylus colubriformis – tricostrongilose intestinal
  • Cooperia spp.
  • Bunostomum spp.
  • Strongyloides spp.
  • Nematodirus spp.

Intestino Grosso:

  • Oesophagostomum
  • Trichuris spp.

Ciclo Biológico

De um modo genérico, o ciclo biológico dos helmintos gastrointestinais dos ovinos é direto: o ovino se contamina ingerindo as L3 (larvas infectantes) que estão presentes na pastagem (aí entra a importância do ambiente que será estudado em uma postagem exclusiva), a L3 ingerida irá evoluir para L4 e L5 (fase adulta) no hospedeiro. Existem diferenças entre os parasitos quanto a forma com que a evolução até a fase adulta se dá, mas pode-se assumir, para fins de controle, que o período desde a ingestão da L3 até a fase L5 (que faz a liberação dos ovos), também chamado de período pré-patente é de 3 semanas (excessão feita ao Oesophagostomum spp. que é de 6 semanas).

Em termos práticos, isso é de extrema importância pois se examinarmos a quantidade de ovos nas fezes pelo teste de OPG  antes da vermifugação e 2 semanas após a desverminação poderemos assumir que os vermes que estão liberando ovos são os mesmos que estavam lá antes da dosificação e, assim, verificamos a eficiência do anti-helmíntico (claro, é preciso checar outros fatores que caracterizariam um manejo correto da aplicação do anti-helmíntico, considerar a infecção da pastagem, troca de potreiro, etc.).

Anemia

O verme considerado de maior importância no Rio Grande do Sul é o Haemonchus contortus, que ocorre durante todo o ano embora sua carga parasitária flutue de acordo com as condições ambientais e é bastante patogênico pela sua característica de hematofagia (cada verme chega a consumir 0,05 ml de sangue por dia). Em função dessa perda de sangue, ocorre anemia e diminuição das proteínas plasmáticas, que irão ocasionar uma diminuição da pressão coloidosmótica dos vasos, levando a uma passagem de água dos vasos para o espaço subcutâneo e causando edema, principalmente na região submandibular e os animais apresentarão a “papeira”. Clinicamente, veremos a mucosa ocular ficar mais pálida, podendo chegar a uma coloração branca (essa graduação de cores e a relação entre grau de infecção foi estudada pelo Sul-Africano Dr. François Malan e sua equipe (1991) , e culminou na criação do Método FAMACHA).

Diarreia

Outro sinal clínico muito importante das verminoses é a diarreia. Ela ocorre quando há infecção por Trichostrongylus colubriformes (atrofia das vilosidades, aumento da permeabilidade intestinal com consequente perda de plasma), Trichostongylus axei (gastrite, erosão superficial da mucosa abomasal com hiperemia, edema e diarreia), Nematodirus (atrofia das vilosidades intestinais, inapetência, perda de peso e diarreia).

No campo

O reconhecimento da infecção parasitaria na prática é extremamente importante e deve ser simples e fácil. Os sinais clínicos vão se agravando conforme a severidade da infecção.  Vemos que os animais de uma maneira geral perdem peso e condição corporal, se cansam facilmente, podendo se atrasar na marcha ou em alguns casos cair de tanta fraqueza. Alguns apresentam papeira e se examinados de perto tem as mucosas pálidas e respiração encurtada. A maioria dos animais apresenta constipação e em casos severos têm o quarto sujo por fezes diarreicas (verde-escuras ou quase negras).  Os animais jovens são os mais gravemente atingidos e tem atraso no seu crescimento, ficando subdesenvolvidos A parasitose deixa os animais suscetíveis a outras doenças, então além da morte pela própria parasitose, pode haver maior número de mortes que estarão relacionadas a outras doenças.

Resistência parasitária

Os parasitos podem desenvolver mecanismos biológicos de evasão a ação dos anti-helmínticos. Isso tem sido cada vez mais diagnosticado em propriedades que tem tido problemas recorrentes com verminose e tem feito tratamentos cada vez mais frequentes. Um indicativo de que a resistência está acontecendo é o uso de anti-helmínticos a cada 30-60 dias. É muito importante conhecer como ocorre esta seleção genética de parasitos e os fatores que favorecem a sua ocorrência.

A população de parasitos pode ser classificada com relação a resposta aos anti-helmínticos em resistentes, sensíveis e população refúgia. Os resistentes (RA) são aqueles parasitos que são capazes de sobreviver a doses de anti-helmínticos (e transmitem essa característica a sua progênie) que seriam letais para os parasitos sensíveis. O “estoque” de larvas suscetíveis que não são afetadas pelos anti-helmínticos e estão presentes na pastagem é chamado de refugia. Para que todos os parasitas de uma propriedade ou população de ovinos não sejam selecionados para resistência é importante manter esse estoque de suscetíveis.

Os fatores que favorecem a seleção de parasitos resistentes são:

  • Tratar os animais e mudá-los para um “campo limpo”
  • Tratar todos os animais
  • Tratamento supressivo
  • Tratamento frequente
  • Subdosagem
  • Utilizar anti-helmíntico por muito tempo
  • Comprar animais com parasitos resistentes
  • Tratar caprinos com doses de ovinos
  • Alta produtividade
  • Utilizar unicamente drogas para o controle de verminoses
  • Tratar durante a seca (ou inverno no caso do RS)
  • Pastagens de monocultivos

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